Dia 1 – Huaca Pucllana, El Olivar, Huaca Huallamarca, Pescados Capitales, Malecon, Parque de La Reserva, Larcomar
Nossa estadia em Lima começou no sábado à noite. Como chegaríamos tarde na região do hotel, decidimos comer algo no aeroporto. Escolhemos o bom e velho McDonald’s. De táxi fomos para o Íbis de Miraflores. Apesar de já ser noite, deu para perceber que o trânsito de Lima não é para qualquer um. Para sobreviver em meio ao tráfego pesado, buzinas a todo instante e violações das leis de trânsito é necessário muita coragem e uma dose de psicopatia.
Domingo de manhã trocamos dólares por soles do lado do hotel e partimos conhecer a capital do Peru.
A primeira parada foi Huaca Pucllana, um sítio arqueológico pré-inca. Alguns povos moraram neste local que teve várias funções ao longo dos anos. Cerimônias com sacrifícios foram feitas aqui. Antigamente, o governo peruano não dava a devida atenção para a Huaca Pucllana, chegando ao ponto do lugar funcionar como uma pista de motocross. Agora os tempos são outros, felizmente. A visita é rápida e conta com um guia. É um contraste curioso ver essa pirâmide de adobe no meio da cidade.
O El Olivar é um parque bem tranquilo, para relaxar mesmo. Fica no barro de San Isidro, um bom lugar para se morar. São mais de 1.500 oliveiras e vários bancos para sentar. O El Olivar é muito frequentado por noivos fazendo seus álbuns de casamento. É fácil entender porque.
Andamos até Huaca Huallamarca, um lugar que não vale muito a pena visitar depois de conferir a Huaca Pucllana. Tinha lido em algum blog que essa pirâmide oferecia uma vista bonita da cidade, mas não achei nada demais.
Foi difícil encontrar um táxi na região e eu estava sem internet no celular para pedir Uber. Depois de um tempo conseguimos e fomos para o ótimo Pescados Capitales. Na sequência, andamos pelo malecon de Miraflores até o shopping Larcomar. Pelo caminho tem praças, quadras de tênis e futsal, o farol, esculturas e uma galera corajosa andando de paraglide. É um dos lugares mais legais de Lima.
A noite fomos para o Parque de La Reserva ver o Circuito Mágico das Águas. As fontes são bonitas mesmo, principalmente à noite com a iluminação, mas o ‘show’ é bem fraquinho.










Dia 2 – Plaza de Armas, Antigua Taberna Queirolo, Museu Larco, Ache
Assim como vários outros brasileiros, fomos na loja da claro no centro para comprar nosso chip. Até que foi rápido.
Tivemos mais uma amostra da loucura que é o trânsito de Lima para ir até o centro histórico. Demorou um monte e o carro quase bateu algumas vezes. Dava para ter usado um ônibus que anda em uma faixa especial para chegar mais rápido, mas fiquei um tanto receoso de me perder.
A Plaza de Armas de Lima tem vários prédios históricos e é cheio de detalhes bacanas. Ela é bem conservada e dá para ficar um tempinho ali. É uma pena que tem os famosos batedores de carteira ou, no caso, de celular. A construção que mais me chamou a atenção foi o Palácio Arquiepiscopal com sua fachada em estilo mourisco. Ver os religiosos tirando uma santa pesadíssima do convento de São Francisco e fazendo ela dançar foi peculiar. É nesse convento que estão as famosas catacumbas. Na época colonial, o lugar funcionava como um cemitério.
Partimos para a tradicional taberna Queirolo, onde experimentamos a saborosa chicha. Recarregamos as energias e caminhamos até o Museu Larco, onde se encontra a maior coleção privada de arte pré-colombiana peruana.
O jantar foi no Ache, um lugar que mistura comida japonesa e peruana com maestria. Destaque para os mariscos al fuego e para o maki acebichado.






Dia 3 – Parque Kennedy, Mercado de Surquillo, Punto Azul, Mate, Barranco, Papacho
O que mais impressiona no bem cuidado parque Kennedy é a imensa quantidade de gatos. Os felinos estão por todos os lados e recebem atenção de quem passa. O pessoal dá água, comida e tira umas fotos. O parque é deles!
Resolvemos conhecer o Mercado de Surquillo e a experiência não foi nada agradável. Todas as mínimas noções de higiene são desrespeitadas no mercado. É um verdadeiro show de horrores. Não é à toa que casos de intoxicação em Lima são bem comuns com os turistas. Não é uma questão cultural, é falta de bom senso mesmo. Um fiscal da ANVISA que visitasse Surquillo teria no mínimo uma angina.
O Punto Azul foi outra ótima opção gastronômica. Aqui eles também servem aquele milho de pipoca de entrada. O negócio é bom mesmo. Comi uma massa com tinta de lula que foi espetacular. E claro, saboreamos uma Cusqueña.
No caminho para Barranco demos de cara com dois simpáticos esquilos.
O museu Mario Testino (MATE) é uma boa pedida para quem se interessa por fotografia. O peruano Mario Testino se notabilizou por fotografar celebridades, mas devo dizer que gostei muito mais do trabalho que ele fez em Cusco com o povo local.
Barranco é considerado o bairro boêmio de Lima. Uma das principais atrações é a ponte dos suspiros, que supostamente realiza um desejo se você atravessá-la sem respirar. Ali também se destaca a bajada de los banõs, um caminho que nos leva até o mar. Dá para ficar um bom tempo só admirando o Pacífico.





Dia 4 – Cusco
Acordamos à uma da manhã para ir até o aeroporto de Lima, que é cheio na madrugada da mesma forma que é no horário ‘comercial’. Por sorte, o guichê da LATAM estava bem tranquilo e organizado.
Conhecer Cusco é a uma experiência fascinante. A antiga capital do império Inca tem características que a tornam única.
Ao chegar no aeroporto já somos recebidos com folhas de coca para controlar o mal de atitude. Particularmente, tive uma leve dor de cabeça no primeiro dia, nada grave. Para evitar os sintomas mais importantes, usamos esse primeiro dia para nos aclimatar e conhecer a Plaza de Armas e seus arredores com calma.
Só que estávamos tão cansados da viagem que dormimos no banco de uma praça esperando um museu abrir. Fomos acordados por uma cusquenha querendo nos vender uns caramelos de coca.
A Plaza de Armas é sensacional. A Catedral e a Iglesia da Companhia saltam aos olhos. É sinistro saber que os espanhóis a construíram usando o granito de Sacsayhuamán. A Catedral é enorme e vale a visita, mas não com o City Tour (explicarei nas dicas no final do texto). Sabe o quadro da última ceia com Cristo e os discípulos comendo porquinho-da-índia e tomando chicha? Ele está em uma das naves da catedral.
Durante nossas andanças nesse primeiro dia sempre íamos até o hotel dar uma descansada e tomar um chá de coca.
Tivemos a sorte de acompanhar um festival de dança nesse dia. Eram alunos de algum colégio e eles estavam com as roupas típicas e bem empolgados.
No final do dia, subimos até San Cristobal, um lugar que permite uma inesquecível vista panorâmica de Cusco.







Dia 5 – San Blas, Catedral, Koricancha, Sacsayhuaman, Tambomachay, Qenqo
Pela manhã, uma rápida passada pelo cultural bairro de San Blas e na sequência iniciamos o City Tour.
Não gosto desses tour organizados, mas certos lugares na região de Cusco são bem complicados de se chegar sozinho. Não é o caso de Sacsayhuaman, por exemplo. Neste caso vale a pena ir à pé ou de táxi.
Mas vamos ao City Tour.
O interior da Catedral tem decorações com ouro, prata e é barroco na maior parte. Tem também algumas obras de arte famosas da época colonial.
Em Koricancha podemos ver como os espanhóis não estavam nem aí para a cultura inca. Eles simplesmente construíram em cima do ‘templo do sol’, algo que é visto facilmente na diferença das técnicas empregadas.
Sacsayhuaman é uma ruína inca grandiosa. É lá que temos nosso primeiro deslumbramento em relação a capacidade da engenharia inca. Foram 80 anos para construir esse suposto posto militar. Sentar naquele imenso descampando e imaginar a vida acontecendo ali é uma bela experiência. É uma pena que o tour é extremamente rápido e nem de longe dá tempo suficiente para realmente aproveitar o lugar.
Tambomachay e Qenqo são visitas ainda mais rápidas, mas elas não são tão interessantes como Sacsayhuaman.
Chegando em Cusco fomos descansar e depois experimentamos o restaurante Limo. Aprovado.






Dia 6 – Chinchero, Moray, Salineras de Maras
Não sei se alguém se arrisca a ir para Chinchero, Moray e as Salineras de Maras por conta, mas devo dizer que é algo no mínimo aventureiro. Para chegar às Salineras você pega umas estradas irregulares com um belo de um precipício do lado. E o pior é quando vem uma van na direção contrária.
Algo que encanta tanto quanto a própria Moray e as Salineras são as paisagens pelo caminho. O cenário é simplesmente arrebatador. Os andes com os picos congelados no fundo e campos imensos bem verdes e plantações fazem um contraste único. A vontade é pedir para o carro parar e fotografar.
Em Chinchero conhecemos a produção do povo da cidade. Ali eles usam corantes naturais para fabricar roupas tradicionais peruanas. Por mais que seja uma visita cultural, preferia novamente ficar mais tempo em outros lugares, neste caso em Moray e nas Salineras.
Os círculos de Moray são um exemplo do avançado conhecimento dos incas. Ali eles fizeram experiências agrícolas que foram essenciais para o desenvolvimento da agricultura do Peru. A vista que temos é privilegiada.
Depois de uma estradinha um tanto difícil chegamos nas salineras de Maras. São milhares de poços que ainda hoje produzem sal. Cada família da região é responsável por um poço. Como elas conseguem encontrar o seu eu não sei.
Esse dia foi um tanto cansativo, mas ao chegar em Cusco fomos conhecer o badalado restaurante Cicciolina. Escolhemos a opção dos Tapas. Nota 6.




Dia 7 – Pisac, Ollantaytambo, Aguas Calientes
E a visita ao Vale Sagrado dos Incas vai ficando cada vez mais espetacular. É uma pena que esse dia estava chuvoso. Só mesmo curitibanos azarados para pegar chuva em Cusco na época de seca, né? A chuva infelizmente prejudicou nossa ida para Pisac. Deu para ver pouca coisa dessa que é considerada a terceira ruína inca mais importante.
Almoçamos em um restaurante que estava incluído no passeio. Fiz de tudo para evitar uma contaminação ali e comi bem pouco. É bizarro como o pessoal exagera no buffet. Tudo bem que está incluído no preço, mas as chances de pegar uma intoxicação em um restaurante desse tipo são grandes. Bom, tem gente que tem o estômago blindado. O povo come e ainda sobe na mesa para dançar umas músicas típicas. Tá louco!
Quando chegamos em Ollantaytambo ainda estava chovendo e tinha muita gente. Estava difícil subir pelos terraços da cidade e até meio perigoso. Dava para ter uma noção da imensidão do lugar. Aos poucos, foi esvaziando e chuva cessou. Aí pudemos realmente aproveitar e nos deleitar com a monumental Ollantaytambo. As expectativas para Machu Picchu aumentaram bastante.
Já cansados, tínhamos ainda que pegar o trem que vai até Aguas Calientes. A viagem demora um pouco, pois o trem vai devagar, quase parando. Infelizmente, não deu para ver a beleza do vale do Urubamba, já que era noite.
Depois de duas horas chegamos em Aguas Calientes e no fabuloso hotel Casa Andina. É uma pena que ficamos tão pouco tempo hospedados nele, questão de umas 6 horas. Esse hotel tem uma opção de estadia prolongada, o que seria uma boa opção para nós. A visita à Macchu Picchu acaba ao meio dia e nosso trem só sairia no final da tarde. Dava muito bem para ficar no hotel aproveitando a fantástica vista para o rio e descansando. Paciência.







Dia 8 – Machu Picchu
Às seis horas da manhã já estávamos na pracinha de Aguas Calientes, o ponto de encontro que o guia nos indicou.
A fila para pegar o ônibus que sobe a montanha chega a assustar de tão grande, mas ela flui rapidamente. O ônibus faz as curvas fechadas e vai subindo a montanha. Menos de 30 minutos depois chegamos na entrada do parque.
Você entra e fica com aquela enorme expectativa. Depois de alguns metros você dá de cara com aquela vista famosa. E é algo enorme, épico. É um momento impossível de se esquecer.
Depois do deslumbramento inicial, fomos visitar os pontos mais importantes da cidadela. O trabalho que os incas fizeram nas pedras é magnífico. O encaixe é mais perfeito quanto mais nobre eram os locais. Cada passo que você dá permite um ângulo diferente e sensacional para se admirar Machu Picchu. Dentro da cidade os pontos altos são o Templo do Sol (única construção redonda), o Templo das Três Janelas e a Intihuatana.
Perambulam por Machu Picchu simpáticas lhamas, que sempre saem bem na foto. É uma pena que alguns turistas não tem a menor noção e ficam atazanando as coitadas. Várias vezes torci por uma cusparada bem dada.
Machu Picchu é um lugar único. Ali dentro conseguimos entender um pouco mais do que foi civilização Inca. Imaginar eles ali, vivendo a vida deles e construindo algo tão perfeito é impactante. Ainda bem que os espanhóis não encontraram Machu Picchu, se não em vez dessas ruínas teríamos mais uma igreja.
A volta foi uma estafante odisseia. Pegamos o trem de Aguas Calientes para Ollantaytambo. Ele atrasou um pouco, foi mais devagar do que o normal e ainda tivemos que aguentar um grupo de alemães idosos entoando cantigas típicas. A nossa sanidade seria ainda mais testada no caminho de Ollantaytambo para Cusco. Pegamos uma van lotada e com um motorista fã de um gênero musical inominável, que mistura música peruana com chinesa e é um verdadeiro gatilho para a enxaqueca.
Foi difícil, mas chegamos em Cusco sãos e salvos. Cansou? Bastante. Mas não preciso bem dizer que valeu a pena.









Dicas rápidas
– Três dias é muito para Lima. Em dos dois dá para conhecer os melhores lugares com calma. Para aproveitar melhor o tempo eu descartaria Huaca Huallamarca e Surquillo.
– Alugar carro em Lima é loucura.
– CUIDADO COM OS BATEDORES DE CARTEIRA, PRINCIPALMENTE NO CENTRO.
– Miraflores é extremamente seguro.
– Não recomendo o City Tour em Cusco. Perde-se um tempo enorme dentro da Catedral e em um lugar que vende artigos locais. Desse jeito, a visita a Sacsayhuaman precisa ser rápida e este é de longe o lugar mais interessante nas redondezas. Dá para ir para Sacsayhuaman de táxi (ou até mesmo à pé) e contratar um guia no local.
– Em vez de três dias em Lima e quatro em Cusco, acho que o melhor seria dois em Lima e três em Cuco. Isso permitiria uma ida até o lago Titica ou Arequipa.
– Acostume-se com os locais oferecendo passeios, convidando para ir nos restaurantes e vendendo coisas. É chato, mas eles vivem disso.
– Preste atenção no lugar que irá comer. A chance de passar mal no Peru é grande. Jamais tome a água da torneira.
– Leve dólares para trocar por soles lá no Peru.
– Melhores restaurantes em Lima: Ache, Punto Azul, Pescados Capitales.
– Melhores restaurantes em Cusco: Barrio Ceviche, Limo.



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