Trilha sonora: Cuarteto de Nos – Cuando Sea Grande
Dia 1: Piriápolis, Punta del Este
Ir de Curitiba até Montevidéu é uma experiência tranquila. São cerca de 50 minutos até Porto Alegre e mais uma hora e meia até a capital do Uruguai. Ao chegar em Porto Alegre você precisa pegar sua bagagem e despachar de novo, mas é rápido.
Como viajamos na temporada, achei melhor reservar um carro com antecedência. Quando desembarcamos em Montevidéu havia um funcionário da localiza com uma placa e em uns 10 minutos ele já estava nos levando para a loja mais próxima. Aí foi só assinar uns documentos, receber instruções básicas das estradas e do carro e partir para Punta del Este.
A estrada que leva de Montevidéu até Punta é bem cuidada e fácil de se trafegar. Os uruguaios, na sua maioria, não correm muito e fazem poucas barbeiragens. Assim como no Brasil, é obrigatório dirigir com os faróis acesos. Desconfio que eu esqueci de ligar os meus e não ficarei surpreso se uma nada agradável multa cruzar a fronteira e chegar até mim.
Antes de chegar em Punta fizemos uma breve parada em Piriápolis. Esta é uma praia mais calma, com muito mais espaço na areia do que em Punta. É um lugar simpático, com uma rambla que tem detalhes arquitetônicos interessantes e um mar bonito.
Continuamos nosso caminho e pouco tempo depois já estávamos em Punta. A estrada fica ainda melhor quanto mais perto de Punta. A vista panorâmica proporciona uma sensação única. Poucos lugares são tão agradáveis de se dirigir como esse.
Passamos a manhã e o começo da tarde nos alimentando de pouco apetitosos snacks do avião, portanto a fome era um fator considerável. Não queríamos perder o dia de sol que estava fazendo, então optamos por um lanche rápido no McDonald’s. É rápido, barato e acalma o estômago.
Fizemos o check in no acolhedor Alpes Hotel, recebemos algumas dicas dos cordiais funcionários (ou seriam os proprietários?) e iniciamos nossas andanças por Punta. A poucos quilômetros de nós estava a Playa Mansa, o lugar que queríamos passar o resto do dia e testemunhar o pôr do sol. E aí já deu para sentir que Punta fica abarrotada no verão. A areia estava tomada por turistas. Não foi difícil de chegar a conclusão de que boa parte desses turistas eram uruguaios. É só ver se eles estão carregando uma cuia e uma térmica. Os caras não conseguem ficar longe do mate.
Depois de uma cuidadosa análise, identificamos um pedacinho de areia relativamente isolado. Foi ali que decidimos esperar o pôr do sol. Um lugar estratégico, eu diria. Ficamos bem em frente a Ilha Gorriti, exatamente onde o sol vai se despedindo. O céu fica mágico em Punta del Este nesse momento. É legal ver que todo mundo espera o sol se pôr e nos instantes derradeiros o pessoal chega até a fazer silêncio.
Demora para escurecer em Punta. Quando virou quase noite fomos para o Parador Imarangatu, que é tipo um clube/bar/restaurante que fica em frente a praia. O lugar é de alto nível, com música boa, comida elaborada e é frequentado por uruguaios bem arrumados. Eu entrei lá com chinela de dedo espalhando areia por todo o lado e mesmo assim fui bem atendido.
Só me arrependi um pouco de ter pedido a tal da MORCELA. Essa tradicional misturinha de sangue e gordura de porco é uma explosão de caloria e não tem muita graça não.



Dia 2: Los Dedos, Plazoleta Los Ingleses, Ramblas, Casapueblo
Para conseguir uma foto dos Dedos sem outros turistas por perto só mesmo acordando bem cedo. Foi o que fizemos. Deu para aproveitar o nascer do sol vendo um dos monumentos mais famosos de Punta praticamente sozinhos. A luz suave do começo do dia, os Dedos e a praia Brava formam um belo cenário para se iniciar o segundo dia no Uruguai.
Tudo estava bem vazio. Às vezes encontrávamos pessoas que estavam voltando de alguma balada ou corajosos uruguaios fazendo exercícios, mas estava quase tudo deserto. Era umas 6:15 da manhã. Eu digo corajosos pois o tempo estava ficando cada vez pior. O vento aumentava em intensidade e a temperatura caia.
Deu para ver o Farol e a Plazoleta los Ingleses. O vento ali era quase um mini furacão. Essa pequena pracinha tem a bandeira do Uruguai e marca o limite entre o rio da Prata e o mar.
Voltamos para o hotel para dormir um pouco e lá pelas 10:00 tomamos o café. Era simples, mas bom. Panqueca com doce de leite é sempre uma boa pedida.
Caminhamos pelas ramblas, vimos um doguinho ensandecido correndo atrás das aves nas pedras e contemplamos o mar de vários ângulos.
À tarde era o momento de visitar a famosa Casapueblo, projeto audacioso do arquiteto Carlos Páez Vilaró. Com um estilo que lembra as casas de Santorini, o local é extremamente fotogênico. Ali próximo fica a rota panorâmica, uma das estradas mais bonitas que já andei.
É uma pena que o tempo estava fechando e não deu para ver o tão falado pôr do sol na região da Casapueblo.
Jantamos no El Palenque e foi a melhor experiência gastronômica da viagem. Os uruguaios sabem mesmo como assar uma carne! Lá é tudo meio caro, mas foi um bom investimento. Carne macia, suculenta e saborosa. Veio ainda uma batata frita a cavalo de cortesia. Maravilha.







Dia 3: Jose Ignácio, Viña Edén, Casapueblo
Jose Ignácio fica a menos de uma hora de Punta Del Este e é mais uma prova de como é bom de dirigir por aquelas bandas. Mesmo com o tempo feio, o cenário é muito bonito. É nesse caminho que tem aquela famosa ponte ondulada. Uma obra curiosa. Dizem que se você passar rápido dá um pouco de frio na barriga. E claro, também dá uma multinha no seu bolso.
O vento estava inclemente em Jose Ignácio. Não deu para ir em muitos lugares, mas de qualquer forma é um vilarejo pequeno. Ali é tudo mais rústico e em um dia bonito vale a pena passar um tempo na areia.
Depois de almoçarmos no Ártico Fish Market, pegamos a estrada para a Viña Edén. É impressionante como o cenário muda. Parece que estamos em algum lugar preservado do interior e não na praia. Para chegar ao restaurante da Viña Edén passamos do lado do parreiral. Ótima experiência para quem gosta de vinhos. Optamos por não fazer o passeio guiado e sim cada um pedir uma taça de vinho e ficar no restaurante. Gostei bastante do primeiro Tannat que provei. Nada mais apropriado do que provar essa uva justamente no Uruguai.
O céu estava predominantemente nebuloso, mas havia uma réstia de sol que nos deu esperanças de um pôr do sol digno. Decidimos rumar novamente para Casapueblo e ficamos na torcida para que dessa vez pudéssemos assistir ao tão falado entardecer.
Chegamos na região e ficamos no carro esperando. O sol foi aparecendo e o vento foi aumentado. Sair do carro para tirar fotos era uma atitude ousada. O céu foi ficando cada vez mais deslumbrante e até um arco íris deu as caras. Dois, na verdade.
Dessa vez demos sorte!







Dia 4: Letreiro de Montevideo, Explanada Trouville, Praça Independência, Parque Rodó
Hora de nos despedirmos de Punta e irmos para Montevidéu. Viagem rápida e tranquila, com direito a dois pedágios e poucas músicas boas nas rádios uruguaias. Deu para ver uma quantidade imensa de carros no trajeto contrário. É o pessoal indo passar o final de semana na praia.
Chegamos e fomos direto para o tradicional letreiro de Montevidéu. A região já mostra várias das qualidades da capital: as ramblas, o rio da prata, bastante verde, tudo limpo, organizado e um calor facilmente suportável.
Estava já na hora do almoço e estava mais do que na hora de experimentarmos o tradicional chivito. Ainda bem que pedimos um para dividir em dois. Batata frita, ovo frito, bacon, presunto e carne em uma quantidade bem servida. O sono depois dessa pequena bomba calórica foi inevitável.
O jeito foi dar uma relaxada na Explanada Trouville, uma praça próxima a uma rambla com uma grande área verde e com pontos de sombra. Os uruguaios gostam de levar os seus cães ali para uma saudável interação canina. Lugarzinho relaxante.
Fizemos o check in no hotel e fomos conhecer a Praça Independência. Fiquei um tanto surpreso pela pouca quantidade de gente nas ruas. Será que era horário da sesta? O fato é que a Praça é muito bonita e agradável. Tem uma estátua enorme do General Artigas e o imponente e histórico palácio Salvo com sua arquitetura eclética.
O final do dia ficou reservado para o parque rodó. Vários jovens, famílias e casais pelo parque. Tem pedalinho, pequenas trilhas e bastante espaço verde. É um dos lugares que o povo mais gosta de ficar para ver o por do sol em Montevidéu. Dava para sentir bastante a marofa em alguns pontos. A maconha é liberada por lá, mas só para quem é residente. Mas não é tanta gente usando. O povo gosta mesmo é do bom e velho mate. A térmica e a cuia fazem parte da anatomia do uruguaio.
Esperamos e pudemos ver mais um belo entardecer. Esse é, inegavelmente, um dos pontos altos de uma viagem para o Uruguai.
O jantar foi na La Cantina del Portito, na frente do hotel. Pedimos um prato para cada e obviamente cometemos um erro. Fazia tempo que eu não comia tanto.






Dia 5: Colonia del Sacramento
Separamos o quinto e último dia para visitar a histórica Colonia del Sacramento. A estrada para lá é bem conservada e é praticamente quase só reta. Às vezes a monotonia pode gerar uma perigosa sonolência. Nunca havia sentido sono em uma estrada antes, mas nesse caso é quase inevitável. Dependendo do grau do sono, o melhor é dar uma paradinha.
Quanto mais perto do centro histórico você conseguir deixar o carro, melhor. No horário que chegamos não havia tanto movimento como eu pensava. Lá o calor acaba sendo mais intenso, mas longe de ser absurdo.
Essa pequena cidade é extremamente fotogênica. Cada esquina, cada ruela, cada casa é uma bela foto em potencial. Também compartilho da ideia de que não é necessário um roteiro para se seguir. O bom é andar e explorar com calma cada região. Tem gente que aluga o famoso carrinho de golfe, mas não vi muita necessidade disso não. Talvez para os sedentários profissionais.
A Calle de Los Suspiros não pode ficar de fora do passeio. Mas fique tranquilo. Chegar nela é absolutamente natural nas andanças por lá. É quase impossível não encontrá-la.
Um detalhe interessante é que em dias de céu limpo é possível ver a Argentina do outro lado do Rio da Prata.
Depois de andarmos e comermos bem, voltamos para Montevidéu para o nosso último pôr do sol nesse país fascinante. Mais umas horinhas de estrada, retas intermináveis, chicletes mascados e músicas de qualidade duvidosa no rádio.
Escolhemos uma rambla próxima ao hotel em que nos hospedamos e escolhemos bem. Sentamos no muro, sentimos a brisa uruguaia e apreciamos mais um inesquecível entardecer, fechando tudo com chave de ouro.









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