Trilha sonora: Los Tres – Um Amor Violento
Dia 1: Aclimatação
A viagem para San Pedro de Atacama começou extremamente cedo. O avião saiu de Curitiba às 03:55, então antes das 02:00 já estávamos a caminho do aeroporto. Chegamos em Guarulhos às 05:00 e só sairíamos de lá às 09:00. Ficar acordado era um exercício de futilidade. Passei a maior parte da viagem dormindo, como essa foto abaixo comprova. Teve uma escala rápida em Santiago, avião para Calama e de lá uma van rumo a São Pedro de Atacama. Às 20:00 estávamos no nosso destino final, o Hostal Casa Flores. Deu tempo para dar uma passeada na rua Caracoles e adjacências e comer no bom restaurante La Estaka.

Dia 2: Plaza de San Pedro de Atacama, Valle de La Luna, Valle de Marte
Começamos o dia andando pelas ruas não asfaltadas e cheias de pó de San Pedro de Atacama, excelente para quem tem rinite. A cidade mantém a sua autenticidade e na realidade é bem agradável caminhar por essas ruas, principalmente na tranquilidade das primeiras horas da manhã. Até os cachorros preferem dormir até mais tarde, de preferência onde o sol estiver batendo.
Visitamos a Igreja de San Pedro, fundada no século XVII. Ela tem muros de adobe, telhado de cacto e é um ponto de encontro para religiosos e também para os cães da cidade. A praça central também é simpática e boa para dar uma relaxada.
Almoçamos no ótimo La Picada del Índio. Como à tarde iríamos visitar o deserto achei justo dar uma reforçada nos nutrientes e pedi um Lomo a lo Pobre, o nosso popular bife à cavalo com batata frita. Maravilha! Confesso que fiquei levemente estufado após eliminar a última batatinha. Dependendo do seu apetite vale a pena dividir esse prato.
O primeiro lugar que exploramos foi o tradicional Valle de la Luna, a poucos quilômetros do centro de San Pedro. Por sorte, havia pouca gente quando chegamos, o que permitiu que aproveitássemos mais. Mesmo no inverno o sol não se compadece do turista e seus intensos raios podem facilmente queimar um cocuruto desprotegido. Use um chapéu!
Dos mirantes temos uma pequena noção da imensidão e da beleza do deserto mais árido do mundo. A paisagem é de outro planeta e nos deixa deslumbrados. A trilha é curta e a altitude não atrapalha em nada.
De van rumamos ao Valle de Marte (ou da Morte), onde tomamos um Carmenere e testemunhamos um belo pôr do sol. Por mim eu passava horas por ali aproveitando cada detalhe.
À noite, comemos um hambúrguer de respeito na Fuente Atacameña San Camilo com direito a uma Ginger Ale, nossa popular Gengibirra.












Dia 3: Toconao, Salar de Atacama
Como o passeio até o Salar de Atacama começaria apenas à tarde, aproveitamos a manhã para mais uma caminhada nas ruazinhas de San Pedro de Atacama. Visitamos uma feira de artesanato e foi lá que encontrei um marca página e também compramos um simpático chaveiro de lhama.
Não era algo incomum sentir uma leve marofa enquanto andávamos pela cidade. Inclusive, parece que vimos folhas de maconha à venda nessa feira de artesanato. Será que a cidade está virando uma Amsterdã? Qualquer dia abrem um coffee shop por lá.
Passamos mais um tempo lagarteando junto com os caninos na praça, almoçamos e voltamos para a pousada para esperar a van que nos levaria ao salar.
Antes de chegar ao salar propriamente dito fizemos uma rápida visita à vila de Toconao. Lá tem um campanário bem bonito e é curioso ver como eles conseguem utilizar a água e outros recursos.
O Salar do Atacama é o terceiro maior salar do mundo e é um cenário cinematográfico. Os habitantes mais famosos ali são os flamingos. Quando você menos espera eles resolvem nos brindar com o seu voo rasante. Pena que não deu tempo de capturar esse momento com a máquina. Eu bem que poderia ficar ali algumas horinhas só vendo essas aves fascinantes.
A paisagem foi ficando cada vez mais exuberante com o pôr do sol. Foi se formando um absurdo contraste do salar, a cordilheira e a luz do sol que só estando lá para absorver na sua totalidade.
Retornando para a cidade fomos jantar em uma pizzaria. Era um lugar bem pequeno, com poucas mesas, mas o pessoal era eficiente. Até demais. Ficamos em uma pequena fila esperando vagar as mesas e nisso a garçonete já anotou nosso pedido. No final das contas, deu certo. Sentamos e rapidinho a pizza chegou. Sincronia!





Dia 4: Laguna Tuyacto, Lagunas Altiplânicas (Miñiques e Miscanti), Piedras Rojas, Trópico de Capricórnio
Como o passeio era mais longo, o dia teve que começar mais cedo. Sete da manhã o pessoal da agência já estava na porta de nosso hotel. E fomos preparados para o frio, afinal chegaríamos até 4.200 de altitude.
A primeira parada foi para o café em frente a Laguna Tuyacto. Apesar do vento e do frio, deu para aproveitar consideravelmente o local.
Fizemos uma rápida parada no mirante das Piedras Rojas e este foi um dos cenários que mais me impressionou. Pena que o frio e o vento estavam um tanto violentos. Ficar ali sem uma jaqueta corta-vento não era recomendado.
Alguns quilômetros adiante chegamos nas famosas lagoas Miñiques e Miscanti e elas são realmente de tirar o fôlego. Possivelmente, o lugar mais bonito que visitamos. Este é um passeio imprescindível no Atacama. Os vulcões, a neve e as vicunhas nas redondezas deixam tudo espetacular. Pelo o que vi em fotos, esse cenário muda bastante de acordo com a época do ano. Dá pra pegar tudo com neve ou sem nada. Ficamos no meio termo.
É na estrada que leva a esse passeio que passa o Trópico de Capricórnio na região. E é claro, tirar fotos nessa estrada vazia e cheia de belezas naturais em volta é essencial.
O almoço foi numa região bem próxima de San Pedro e confesso que não foi o momento mais empolgante do dia, mas deu para repor um pouco das energias.
Isso foi compensado pelo jantar no excelente Adobe. É um lugar um pouco mais caro que a média da região e vale a pena.








Dia 5: Rota dos Salares
O dia começou de maneira promissora. Um café reforçado na frente do majestoso vulcão Licancabur é um indício de que vai vir só coisa boa pela frente. O problema é que não esperávamos a inclemência do tempo. Acho que nunca peguei um vento tão forte como nesse passeio e isso acabou prejudicando a visita de vários locais. Era basicamente loucura ficar fora da van por mais do que alguns minutinhos.
O pior foi quando estávamos na região do Salar de Tara. Não sei se aquilo se configurava como uma tempestade de areia, mas fomos brindados com verdadeiros golpes de areia e vento. O negócio foi intenso.
As vistas são espetaculares, pena que nessas condições adversas não dava para aproveitar. Para fechar com chave de ouro, perdemos um tempinho procurando um lugar ao ar livre adequado para almoçar. Não tinha como. Tivemos que degustar macarrão com areia mesmo, pois ventava em toda San Pedro de Atacama. E sempre havia aquela expectativa das cadeiras saírem voando quando alguém levantava, o que aconteceu algumas vezes. Imprevistos fazem parte, afinal é o deserto!
Na nossa última noite em San Pedro de Atacama voltamos no restaurante Adobe. Uma flauta andina, uma fogueira e um sauvingnon blanc encerraram muito bem um dia um tanto atribulado.






Dia 6: Museu Nacional de Belas Artes, Patio Bellavista
No caminho de San Pedro para Calama deu para ter mais uma noção de como o deserto do Atacama é imenso. É areia, dunas e montanhas para todo o lado. Uma hora depois já estávamos no aeroporto e me surpreendeu o fato de como ele é vazio. Basicamente, só sai um voo por hora e isso deixa tudo mais tranquilo. Dá até para tirar uma foto de uma geladeira que tinha Seven Up, Crush e Ginger Ale.
Chegamos em Santiago, deixamos as malas no hotel e fomos no Empório la Rosa para um lanche rápido. Um sanduíche de palta vai bem para matar a fome! Era bem nostálgico estar ali, afinal Santiago foi a cidade que escolhemos para passar nossa lua de mel há 4 anos. E justamente o empório la Rosa foi o primeiro lugar que visitamos daquela vez.
Perto dali fica o não tão grande e bem agradável Museu Nacional de Belas Artes. Uma escultura na entrada e a cúpula de vidro com a armação metálica importada da Bélgica chamam a atenção. Fundado em 1880, este é um dos museus mais antigos da América Latina.
Já no clima santiaguino, caminhávamos com passos rápidos e decididos pela cidade. Fomos até o patio Bellavista, onde estava acontecendo uma Festa do Gelo. É isso aí. Artistas faziam esculturas no gelo e nós ganhávamos um copo feito de gelo com red bull dentro.
Fomos em uma cervejaria que fica do lado de fora do patio e depois mandamos um dogão (ou completo) no Charly dog, outro momento nostálgico. E é óbvio que tinha que ter palta no meu completo!








Dia 7: Farellones, Valle Nevado
Desta vez já estávamos espertos para fazer esse passeio. Em vez de pedir um transfer da Ski Total do hotel para a loja decidimos ir por conta. Isso permitiu com que acordássemos um pouco mais tarde e comêssemos com calma.
Subimos a montanha e fomos recebidos com um visual bem diferente do de quatro anos atrás. Pegamos um dia com céu aberto e menos neve e foi uma bela combinação. Deu para aproveitar bem, principalmente o Valle Nevado. De tanto ver o povo esquiando pela montanha dá vontade de fazer igual. Isso até ver os tombos que boa parte da galera leva.
O termômetro marcava menos 9, mas a sensação térmica no sol era bem mais tolerável.
Ficamos quase 3 horas por ali, o que nos deixou com tempo para tomar uma saborosa e inflacionada cerveja nesta bela paisagem. O guia era gente boa e fez questão de nos mostrar um condor e raposas na volta, o que, segundo ele, faz o passeio ser completo. De acordo.
À noite, fomos em busca de um Ramen (que foi degustado em exóticas colheres de pau), não sem antes passarmos próximos a um protesto. Difícil visitar Santiago e não se deparar com um protesto!




Dia 8: Cousiño Macul, Costanera, Cerro Santa Lucía
Não dá para ir para Santiago e não visitar uma vinícola. Fomos de metrô até a tradicional Cousiño Macul e é um ótimo passeio. Degustamos 3 vinhos durante o tour (chardonnay, merlot, cabernet sauvignon) e no início eles nos deram um riesling de brinde. A Cousiño Macul está com a mesma família há muitas gerações e continua fazendo vinhos de qualidade. Eu nunca havia experimentado antes, mas agora recomendo. O guia explicou de maneira acessível e interessante as características de cada vinho, além de nos dar uma boa noção da história da vinícola. Tudo isso em pleno Valle del Maipo com a cordilheira dos Andes no fundo.
Partimos para o Costanera Center e nos impressionamos com a quantidade de gente no shopping. As filas na praça de alimentação eram absurdas. Sorte a nossa que no Creppes and Waffles não pegamos fila. Esse aí foi para relembrar a gloriosa Cartagena.
A ideia era depois de almoçar subir até o Sky Costanera, o edifício mais alto da América Latina. Se a neblina e poluição permitissem a vista seria espetacular, mas os ingressos custavam 200 reais para os dois e achamos melhor desistir. De qualquer forma, a vista do Cerro Santa Lucia tem seus encantos e é de graça!
Não podíamos deixar passar oportunidade e nos despedimos de Santiago jantando no Aqui Está Coco. O lugarzinho bom!
É. O Chile é deslumbrante e há bastante coisa ainda para ver.






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