DIA 1: Pé na estrada rumo a terra da garoa, meu
Como havia um indicativo de greve dos aeroviários chegamos a conclusão de que a opção mais garantida para ir até Angra dos Reis seria dirigindo. Já pensou chegar no aeroporto algumas horas antes do voo e ele ser cancelado?
A ideia foi fazer a viagem em duas partes: ir até São Paulo, dormir e no dia seguinte seguir até Angra dos Reis. Cerca de 900 km no total. Confesso que não tenho paciência para tocar direto não.
Com uma lista enorme no Spotify para ouvir e eventualmente cantarolar, dois monsters para deixar alerta e o GPS ligado, saímos de Curitiba em um domingo logo após o almoço.
A BR-116 fluiu tranquila até Miracatu, onde fizemos uma parada para ir ao banheiro e repor a cafeína. Pelo caminho, deu para ver a represa do Capivari sofrendo com a estiagem, inúmeros bananais e até criações de búfalo.
Chegando em São Paulo a coisa ficou feia. O tal do Rodo Anel Mário Covas estava extremamente engarrafado. Também pudera. Era final de domingo e o povo voltava para casa.
O ruim era que a bateria do meu celular estava acabando e foi nesse momento que descobri que o cabo do iphone não é compatível com o meu carro. Sem problemas. O celular da Flávia garantiu o nosso complexo caminho da marginal tietê até o hotel.
Complexo, de fato. É difícil entender aquele monte de saídas e caminhos quando você chega em São Paulo. Mas deu certo.
Logo jantamos e fomos descansar para continuar a road trip pela manhã.
Dia 2: Passando por Aparecida e Cunha / O ousado caminho pela estrada Real / Aproveitando a Pousada Mestre Augusto
O descanso não foi aquela coisa, pois tinha algum hóspede barulhento perto do nosso quarto enchendo a paciência. De qualquer forma, tomamos o café meia boca do hotel e partimos em direção a Angra.
A SP-070 – Rodovia Governador Carvalho Pinto é uma maravilha. Asfalto em ótimas condições, poucos carros e um cenário bacana. Pena que tem um monte de pedágio. Toda hora é parar, pagar, passar álcool gel na mão e seguir em frente.
Seguindo o GPS passamos por Aparecida e vimos como é grande esse santuário. Colossal mesmo. Tem até um teleférico passando pela cidade. E era justamente nessa altura que havia um caminho importante para escolher.
Quando botei a rota no google maps vi claramente que de Aparecida iríamos para Guaratinguetá, Resende e Rio Claro, fazendo uma curva enorme e descendo até Angra. E não é que o bendito do google maps alterou a rota durante o percurso? Esqueci de fixar, esse foi o problema.
Quando percebemos estávamos passando por Cunha, região serrana que oferece um visual espetacular. Tava tudo muito tranquilo até chegarmos em uma cachoeira, onde paramos para tirar foto.
A partir dai o caminho ficou complicado. Sai o asfalto e entra o paralelepípedo, curvas fechadas, espaços estreitos que só deixavam um carro passar e a mata atlântica ao redor dando a impressão que podia ter algum deslizamento por ali.
Mas chegamos em Paraty e dali até Angra foi mais um tempinho, mas em uma boa estrada. Antes de chegar na pousada passamos rápido pela Usina Angra II e depois pela cidade, que não é das mais bonitas.
Agora, a impressão ao chegar na pousada Mestre Augusto foi totalmente diferente.
Esse é um lugar extremamente simpático, bem decorado e muito bem localizado em frente a baia de Angra. São vários os espaços para sentar, relaxar e apreciar as belezas naturais dali. Deu até para usar a prancha de Stand Up Paddle e remar no caiaque durante o pôr sol. Para completar, pedimos o famoso drink Jorge Amado, que vai cachaça Gabriela Cravo e Canela, limão, maracujá e açúcar.
Aproveitamos bem o dia da chegada na pousada, o que não teria sido possível se tivéssemos ido de avião.
Para dormir, um bem-vindo e relaxante silêncio.











Dia 3: Passeio de barco tradicional pela ilha da Jipoia
A noite foi silenciosa na maior parte. De vez em quando, silêncio era quebrado por um barulho suspeito vindo do telhado do nosso quarto. Uma cobra? Um gato? Um sagui? Depois descobrimos que se tratava de um maroto furão.
Falando em barulho, nesse dia fomos acordados pelo barulhinho de um siri andando tranquilamente pelo nosso quarto.
Coisas do contato mais próximo com a natureza, não é?
Depois de um café saboroso e bem servido, partimos rumo a estação Santa Luzia no centro de Angra. É desse local de onde saem a maioria dos passeios de barco para as ilhas.
A primeira parada da lancha foi na Ilhas Botinas, um dos cartões postais da cidade. São duas ilhotas que se você olhar e usar a imaginação se assemelham a botas. Ali já deu para entrar no mar e dar uma refrescada.
Seguimos até a praia do Dentista e a praia das Flechas. Gostei bastante da praia das Flechas, principalmente porque estava bem vazia. Tinha um restaurante onde matamos a sede com uma saborosa Cacilds e comemos um belo pastel de camarão com uma boa dose de coentro! E aí foi relaxar no trapiche e observar o mar.
Para finalizar, uma passada na ilha do Boninho e na antiga ilha de caras. Nada muito memorável, convenhamos.
No retorno até a estação Central pegamos uma chuva um tanto intensa.
Chegando no Mestre Augusto partimos para um pouco mais de Stand Up Paddle e um descanso no Pier enquanto caia uma chuvinha.





Dia 4: Passeio de lancha até a Ilha Grande
O dia começou com o tradicional Stand Up, que dessa vez ficou ainda melhor porque pude ver um tartaruga filhote nadando do meu lado. Na minha cabeça ouvi esse simpático quelonio dizendo “tchururu” no melhor estilo procurando Nemo.
Após o café nos preparamos para mais um passeio de lancha, só que tivemos que ir até o centro de carro já que nenhum uber se dispôs a ir até a pousada. Foi meio difícil achar vaga nas ruas e quase perdemos o horário. Mas aí encontramos um estacionamento supostamente público em que o guardador cobrava uma graninha, fazer o quê?
Ainda bem que conseguimos chegar a tempo, pois esse passeio nos mostrou um dos pedaços mais bonitos de angra: a Lagoa Azul. O sol ajuda a deixar a cor do mar ainda mais bonita e o local é um convite para um mergulho. Aos poucos a galera foi chegando e quando percebemos toda a área estava repleta de barcos e lanchas. Teve até um gênio que resolveu soltar um foguete. Tá de parabéns!
Na sequência, uma rápida passada na praia da Baleia e depois um almoço em um lugarzinho bem meia boca. Tudo bem que é a Ilha Grande é roots, mas ali isso era meio exagerado com as mesas da parte interna do restaurante em cima da areia. E o povo vinha chegando em verdadeiras hordas e ocupando praticamente todos os lugares disponíveis. Acho que é meio difícil escapar desse tipo de muvuca em Angra no verão, pois os tours e lanchas seguem basicamente o mesmo roteiro. Tem que ter um pouco de paciência.
Para finalizar, fomos até Cataguases. Lá o mar é bem verdinho, pena que o sol já tinha ido embora. Particularmente achei uma das ilhas mais bonitas.
Ah. E foi bem ali, no final do passeio, que a nossa lancha resolveu dar problema. Ainda bem que estávamos nessa ilha e a lancha de resgate chegou rápido.



Dia 5: Relax total na pousada
Esse dia separamos para ficar bem de boa na Pousada Mestre Augusto.
Peguei a prancha de SUP e fui o mais longe possível. Para ir estava tranquilo, a favor da maré, mas na volta foi um tanto cansativo. Ganhei um torrão nas costas de presente.
E foi nesse dia que a Flávia tomou um belo susto. Ela estava na tranquilidade da baia de Angra aproveitando o stand up paddle e procurando tartarugas quando foi surpreendida por uma arraia que estava na mureta da pousada. O bicho era grande e extremamente ágil e passou ligeiro por baixo da prancha. Não sei como ela não tomou um pacote.
Ao longo do dia aproveitamos os vários cantos da pousada, principalmente o relaxante pier de cara para o mar. Ali era o lugar de esticar as pernas, contemplar o horizonte e saborear uma cacilds bem gelada.
Apesar de ficarmos o dia inteiro no ócio, ele passou rápido.
No dia seguinte, já era hora de começar o caminho de volta.



Dias 6 e 7: Partiu SP e depois, Curitiba
Dessa vez me antecipei ao google maps e fixei um caminho mais tranquilo que aquela loucura da Estrada Real.
Passamos por uma serra tranquila e pouco movimentada, com direito a três túneis um tanto precários.
Para variar, pegamos um belo congestionamento antes de chegar em São Paulo.
Depois de 7 horas chegamos no Hotel e fomos à pé até o shopping El Dorado que era bem do lado. Eu estava faminto e ansioso para mandar um KFC e foi que fiz.
Cansados, dormimos rápido e saímos cedo para Curitiba.
Dessa vez a viagem foi rápida. Paramos em um abençoado Graal no meio do caminho e tocamos direto até em casa. Quando menos percebemos, já estávamos em Campina Grande do Sul e logo em casa.




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