Primavera Sound Brasil (2023)

Published by

on

Trilha sonora: The Hives – Hate to say I Told You So

Já fazia um tempo que não marcávamos presença em um festival em São Paulo. O último havia sido o Lollapalooza de 2018 em que fomos conferir principalmente o The Killers, mas também vimos The National, Liam Gallagher, Red Hot, Pearl Jam e outros.

Com os bons comentários sobre o Primavera Sound do ano passado e com um line-up cheio de bandas boas como Killers, The Cure, El Mato e The Hives decidimos que não podíamos ficar de fora.

E ainda bem que fomos, pois foi uma bela experiência.

Dia 1

  • Saímos de Curitiba de manhã e 11 e pouco já estávamos no hotel Adagio Berrini, um lugar estratégico para eventos em interlagos, já que ele fica bem próximo a estação Berrini.
  • Almoçamos meio dia em um restaurante mexicano ali perto. Nachos, tacos, quesadillas, burritos… tudo saboroso e com um bom custo benefício. Vem tanta comida que pedimos para não vir os últimos dois pratos e nem a sobremesa.
  • Nessa curta caminhada do hotel até o restaurante já deu para sentir a intensidade opressiva do calor. E iria piorar.
  • Depois do almoço tomei um copão de um café gelado basicamente para me energizar para o primeiro dia do festival. Era ruim pra cacete, mas cumpriu o papel.
  • Uma passada rápida no hotel para botar a pulseira, protetor solar e pegar uma garrafinha de água. A estação berrini fica a 3 quadras do hotel e logo estávamos em um trem com o ar condicionado aliviando o calorão.
  • A caminhada da estação até o autódromo não é das mais tranquilas, com uma puta subida e aquele solzão violento na nossa cara. Quando entramos no autódromo eu já estava ensopado de suor, mas eis que logo ali na entrada o festival já estava distribuindo água gelada. Eles também deram um copo e tinham vários bebedouros espalhados lá dentro, além de outros pontos em que se distribua água. Ponto mais do que positivo!
  • Aliás, a estrutura foi muito bem pensada, com vários banheiros e praticamente nada de fila. As filas nas lanchonetes andavam muito rápido e o cardápio era bom. Obviamente, o preço era inflacionado, mas eu já tinha carregado nossas pulseiras com uma quantia razoável.
  • Uma das poucas falhas do festival foi os poucos lugares com sombra disponíveis, fazendo o povo se amontoar em alguns cantos para tentar fugir do sol nos intervalos dos shows. Por sorte nós ficamos embaixo de um bar tomando uma bera enquanto esperávamos a hora de ir para o The Hives.

The Hives

Mesmo com o calorão de 34 graus os suecos do The Hives entraram no palco com o seu estilo peculiar: paletó e calça social. Na primeira música o coitado do baterista já estava rosado e esbaforido.

A energia ficou lá em cima desde o início do show. Eles tocam muito bem ao vivo, realmente empolgando a galera. O vocalista meio doidinho interage bastante, inclusive falando frases em português com uma boa pronuncia.

De vez em quando ele andava no meio do povo, tomava do copo dos outros e até resolveu entrar em um freezer para se refrescar.

O começo já foi intenso com a ótima Bogus Operandi, mas as coisas atingiram um outro nível com Tick Tick Tick… BOOM! e o hit eterno do rock alternativo Hate to Say I Told You So. É um som direto, cru e que exige que tiremos os pés do chão.

Marisa Monte

A ideia não era exatamente ver a Marisa Monte. A gente se aproximou do palco na hora do show dela para conseguir pegar um lugar melhor no The Killers.

O fato é que deu para ver porque ela é uma das mais respeitadas cantoras nacionais. Vários clássicos que eu nem sabia que eram dela animavam os fãs, que cantavam ao pé de letra. Particularmente, gostei mais de umas músicas que eu nem conhecia. Boa voz, presença de palco e setlist sólido.

The Killers

Não é à toa que o The Killers lota estádios por onde passa. Eles foram criando clássicos ao longo dos anos que são perfeitos para um público enorme cantar a plenos pulmões. E claro, Brandon Flowers é um dos frontman mais animados e competentes do rock.

Ele entrou com o seu paletó roxo a la Elvis e com o sorriso no rosto já mandou Mr. Brightside para levantar todo mundo. Não tem como ficar parado nesse clássico absoluto, ainda mais com o Ronnie Vannucci esmurrando a batera.

Mas tem um problema. Esse show foi muito semelhante ao do Lolla em 2018. Se não me engano foram apenas duas ou três músicas diferentes no setlist e isso acaba enjoando um pouco, deixando previsível.

Assim como daquela vez teve a The Way it Was versão estendida, luzes de celular na Dustland Fairytale, papel picado em All These Things That I’ve done e The Man e fogos em When You Were Young.

Não me entendam mal, as coisas ainda funcionam pois trata-se de músicos talentosos, mas a fórmula começa a mostrar sinais de cansaço. Para piorar, eles chamaram um cara que nem sabia tocar bateria direito para a For Reasons Unknown.

As únicas músicas diferentes foram Caution, In The Car Outside e Boy. Infelizmente, a In The Car Outside não soou tão bem ao vivo, apesar de ser ótima, como todo o álbum Pressure Machine.

Um show cheio de hits, ainda empolgante, com um Brandon Flowers tendo o controle total do público com o seu carisma e sua voz, mas cuja previsibilidade tem incomodado.

Mesmo sendo fã eu não iria novamente em um show deles tão cedo.

  • Na saída rolou um acumulo de gente próximo ao único portão aberto para quem ia em direção ao metro. Havia um espaço demarcado para caminhar até a estação e de vez em quando ficava lento. Fico pensando agora que isso seja uma logística para evitar que role muito tumulto na hora de entrar no trem. De qualquer forma, conseguimos pegar o primeiro que chegou na estação.
  • Cansados e famintos, comemos um baconzitos genérico e tomamos uma coca gelada para refrescar. Aí foi dar aquela dormida para tentar acordar renovado pela manhã.

Dia 2

  • O café da manhã do hotel Adagio São Paulo Berrini melhorou bastante desde a outra vez que passamos por lá. É daqueles cafés com menos opções, mas as que tem são de qualidade. Mandei ver no pão de queijo e no pão de azeitona.
  • É normal tomar café e voltar a dormir durante festivais, né? Foi o que fizemos e foi essencial para recuperarmos nossa energia. O quarto com o ar condicionado e a cama confortável eram um convite para o relaxamento.
  • Almoçamos em um restaurante por quilo ao lado do hotel chamado Manai. Bem, ele é por quilo durante a semana e no domingo é 99 reais para comer a vontade, com direito a bebida e sobremesa. Pensando bem, não era caro.
  • Saímos um pouco mais cedo do que no dia anterior para podermos chegar com calma para ver os nossos hermanos do el mato. Demos uma aceleradinha nas passadas naquela subida brutal na região do autódromo e chegamos com folga.

El Mato a un Policia Motorizado

Fomos palco uns 20 minutos antes do show começar e deu para pegar a grade tranquilamente. Bem na frente de onde ia ficar o Santiago Motorizado.

Aos poucos, o povo foi chegando e deu uma quantidade boa de público considerando o horário complicado em termos de calor.

Olha foi uma experiência diferenciada poder ver uma banda dessa nível bem de perto. Eles tocaram várias do Super Terror, começando com a já clássica Un Segundo Plan. Como era esperado o público ali no Primavera não pulou tanto como os argentinos no Luna Park ou os fãs da banda que foram no cine joia ano passado, mas aos poucos todo mundo ficou contagiado.

Bastante gente cantou as mais antigas como Mas o Menos Ben, Chica de Oro, Chica Rutera e El Tesoro. Chica Rutera foi o ápice para mim, com sua letra curtinha que se repete e vai ficando cada vez mais intensa.

A banda está cada vez mais segura ao vivo e encarou bem a responsabilidade de tocar em um festival no Brasil. Claro que é um show que combina mais com o horário noturno, mas eles conseguiram em 1 hora em um solão sinistro nos mostrar porque são uma das grandes bandas do cenário alternativo da América Latina.

Destaque também para o Santiago e seu jeitão tímido/simpático distribuindo joinhas e corações para o receptivo público brasileiro.

Roisin Murphy

Com uma voz afinada e doce sem ser enjoativa, Roisin Murphy investe em um dance/eletrônico contagiante. Sinceramente, eu nem cogitava ver o show dela. Estávamos a caminho do show do Beck e passamos na frente do palco em que ela estava e acabamos ficando por ali.

Estava uma vibe agradável com uma batida que transitava entre o relaxante e o empolgante. E ela tem boa presença de palco, principalmente com o seu lado performático que inclui uma constante mudança de figurinos, um mais chamativo que o outro.

Grande surpresa do festival para mim!

The Cure

Como já estávamos cansados decidimos ficar longe do palco. Apesar de gostarmos muito da banda, as duas horas e meia de duração do show soaram brutais para nós. Olhando o setlist eu meio que planejei ir embora após o trio Push, Inbetween Days e Just Like Heaven. E foi o que fizemos.

De qualquer forma, o show foi ótimo, imersivo desde o início com aquela sonoridade melancólica e bela que só o The Cure sabe fazer. E como Robert Smith está cantando! Simplesmente não parece sentir o peso dos anos. Sentimos que o que ele canta vem de dentro. Ele coloca emoção em cada verso e vê-lo ao vivo é realmente especial.

Pena que estávamos sem forças para ficar até o fim, mas o que vimos foi de alto nível.

  • No segundo dia a volta foi muito mais tranquila, afinal saímos antes da maioria. Pegamos um pastel, mais uma coca e o caminho foi tranquilo até o metrô. Aí foi relaxar no ar condicionado do trem e esperar chegar na nossa estação.

Deixe um comentário

Previous Post
Next Post