Trilha sonora: boom boom kid – Lo unico feo es no tener porque vivir
Dia 1: Cerro Santa Lucía, Aquí Está Coco, Parque Bicentenário, Luna Bar, Patio Bellavista
- Cada vez mais tentamos nos tornar adeptos do slow travel. Parece-me que visitar menos lugares para aproveitá-los melhor é uma opção mais sábia do que abarrotar o roteiro e fazer tudo na pressa.
- Com essa ideia em mente decidimos nem botar o despertador para tocar. Mesmo assim, acordamos relativamente cedo e fomos conferir se o café da manhã do Hotel Ismael continua de alto nível. E apesar da dinâmica ter mudado para uma mesa de buffet, as opções se mantém muito saborosas. Destaque para as frutas mais doces do que as que temos aqui, os huevos revoltos e a palta.
- O início da escapadela a Santiago foi no Cerro Santa Lucía, lugar histórico onde a cidade foi fundada em 1541. O sol estava brilhando timidamente e a temperatura ainda estava amena. Havia poucas pessoas no Cerro, o que proporcionou um passeio tranquilo e que rendeu boas fotos. Este é um dos lugares que garante as melhores vistas da cidade. Pena que a fonte estava sem água.
- Precisávamos comprar alguns pesos chilenos e para isso fomos até a JM Agustinas. Pelo caminho, vimos um protesto enorme. Aproveitamos e demos uma espiada no La Moneda, sede da presidência.
- Próxima parada: Aqui Está Coco. Esse é sem dúvidas nosso restaurante preferido em Santiago e novamente tivemos uma ótima experiência gastronômica. O forte lá são os frutos do mar. Fomos de peixe e na sequência pedimos a clássica sobremesa Torta de La Abuela. Ali já comecei o meu dia etílico degustando um Sauvignon Blanc.
- Perto do restaurante fica o Parque Bicentenário, enorme espaço verde com alguns pontos de sombra, umas esculturas e um lago com cisnes curiosos e cheios de apetite. Nesse momento o calor era intenso e não deu para explorar todo o parque.
- Ficamos na dúvida se pegaríamos um uber ou iríamos a pé até o Luna Bar. Como o calor era forte tentamos o uber, mas não conseguimos nenhum carro. Cogitamos usar as patinetes disponíveis no bairro de Vitacura onde estávamos, mas não deu para liberá-las. Resolvemos andar e no caminho paramos em um café estiloso cujo dono é fã de jazz. A coleção de discos era até melhor que o café propriamente dito.
- O Luna Bar é um bar que fica no terraço de um hotel. O famoso rooftop. Ficamos em um sofá de frente (ou seria de lado?) para os Andes. Pena que não havia neve, mas a cordilheira é impressionante em qualquer condição climática. E só melhora quando saboreamos drinks enquanto a olhamos. Tomamos uns drinks elaborados e também pedi um tradicional Pisco Sour. O lugar é bem agradável e nem dá para ver o tempo passar. Só achamos que o sofá poderia estar virado de frente e que o DJ podia escolher umas músicas menos comerciais.
- Para jantar fomos até o tradicional Patio Bellavista de metrô e lá estava bombando. A música era alta e o fumacê dos cigarros estava por todos os lados, mas mesmo assim o lugar é bacana. Mandamos uma pizza que era melhor do que esperávamos e terminamos nosso primeiro dia no Chile satisfeitos.



















Número de passos: 19.601
Dia 2: Cerro San Cristóbal, Liguria, Lastarria, Boom Boom Kid
- Desta vez entramos no Cerro San Cristóbal pelo teleférico. Chegamos logo na hora de abrir e antes de subir não resisti e comprei uma nostálgica crush laranja, um dos refrigerantes que mais tomei na infância. O teleférico é fechado e sobe o morro com suavidade e oferecendo belos ângulos da cidade. A primeira parada é próxima a uma piscina pública. Descemos o morro até chegar no jardim japonês, que é pequeno mas tem sua beleza. Pudemos observar a grande quantidade de chilenos utilizando o morro para praticar seus exercícios, principalmente bike e caminhada.
- No retorno ao teleférico pegamos de graça um sempre bem-vindo red bull. Na ida até o cume dá para perceber como algumas áreas de Santiago estão cheias de prédios e outras tem umas casinhas pequenas. Lá em cima, tomamos a bomba de açúcar chamada mote con huesillos, um tradicional, doce e revigorante refresco. Apreciamos mais um pouco a vista e descemos de funicular.
- Caminhamos até o Liguria no bairro Lastarria, um restaurante que mesmo tendo uma pegada turística é incrível. Experimentei pela primeira vez um vinho da uva País e comemos uma milanesa parmegiana de qualidade e uma excelente posta com sapaghetti. Parecia a comida da vó, não é mesmo?
- Após o almoço a ideia era ir para o templo bahai, principalmente pela sua bela arquitetura e as vistas da cidade que ele proporciona. A questão é que novamente nenhum uber aceitou essa corrida. O melhor era ter ido de metrô até um lugar mais ou menos próximo e de lá pedir um uber.
- Resolvemos então explorar o artístico e boêmio bairro Lastarria, que é inclusive onde ficava o nosso hotel. Deu para conhecer o Gabriela Mistral, ver a feirinha e sentar em um bar para tomar algumas cervejas e comer.
- À noite era vez do show do um tanto alternativo Boom Boom Kid. Chegamos no Blondie com facilidade usando o metrô. Fiquei um tanto impressionado com a considerável quantidade de gente que aguardava na fila para a abertura da casa. Não é que o bumbum tem seus fãs na América Latina?
- E o show teve seus altos e baixos. É que o BBKid é extremamente doido. Ele mexe seu cabelão e planta bananeira e na sequência solta uns gritos agudos. E o povo se empolga em um mosh responsa, com direito a alguns mais doidinhos sendo levantados aos céus pelos seus colegas. A banda toca em um ritmo mais apressado, às vezes tornando algumas músicas irreconhecíveis. Mesmo assim, a energia caótica é contagiante e em alguns momentos ele diminui o ritmo deixando o público cantar junto, como na incrível Brick by Brick.
- A volta não foi nada fácil, já que o metrô fecha cedo. Até cogitei ir andando pela Avenida Libertador O’Higgins, mas a distância era enorme. Logo encontramos um taxista que estava um tanto puto pelo passageiro anterior que estava bebaço e não tinha dinheiro para pagar. Ele habló, habló y habló e nos levou até o hotel.













Número de passos: 17.096
Dia 3: Parque Quinta Normal, Museu dos Direitos Humanos, Empório La Rosa, Alyan Family Wines
- Antes de entrarmos no Museu dos Direitos Humanos fomos conhecer o Parque Quinta Normal, que fica literalmente ao lado. É um parque relativamente grande com um pequeno lago e um bom número de árvores.
- O Museu dos Direitos Humanos nos convida a conhecer com profundidade e jamais esquecer o terrível período vivido pelo Chile durante a ditadura militar. O museu é uma bela homenagem a todos que foram afetados pelo regime. Ele tem três andares com materiais bem distribuídos, uma boa organização e vários detalhes que nos fazem refletir. E a entrada é de graça.
- O almoço/lanche foi no já clássico Empório La Rosa, do lado do hotel. Não hesitei e também peguei duas bolas de sorvete de sobremesa, a especialidade da casa. Fomos tomar no Parque Forestal, onde observamos cães passeando tranquilamente com seus donos.
- Aliás, ao contrário do que vimos em 2015 atualmente não existem muitos cães de rua em Santiago.
- Para fechar a viagem, nossa ida para a Alyan Family Wines. Da cidade para a vinícola é mais ou menos uma hora, mas o tempo aumenta pois a van vai pegando os outros turistas pelo caminho. Isso é bem chato, hein? Mas faz parte.
- E o lugar é realmente bonito: próximo aos Andes e com uma posição privilegiada em relação ao pôr do sol. Mas trata-se de uma visita bem comercial, com um grupo grande (que pode conter gente chata), explicações protocolares e piadinhas prontas.
- Destaco a oportunidade de comer algumas uvas vitis viniferas direto do vinhedo e tomar um vinho chamado Naranjo com o por do sol de fundo. Eles também serviram um Carmenere interessante em meio a tonéis de madeira.
- A ideia de fazer um tour mais prolongado tem a sua lógica, mas a chance de ter algum bêbado incomodando fica maior, ainda mais se a maior parte do grupo é composta por brasileiros.
- E o jantar também fica devendo.
- No final das contas, acredito que a Alyan Wines meio que vale a pena por dois bons vinhos e pela estética do lugar. Mas considerando o tempo de deslocamento, a dinâmica da degustação e o preço é um passeio que eu não recomendaria, ainda mais se você já teve a oportunidade de conhecer outras vinícolas.













Número de passos: 7.921
A volta
- Na volta o voo faria escala em Guarulhos, então já saberíamos do longo tempo que ficaríamos no aeroporto.
- O Hotel Ismael nos deu um café da manhã para viagem e a quantidade era até maior do que precisávamos.
- Compramos um pote de café Juan Valdez no aeroporto e fui capaz de esquecer uma pequena bolsa com meu passaporte e um dinheiro. Faltando pouco menos de 1 hora para embarcar percebi que não estava com ela e aí refizemos nossos passos e a encontramos, não sem antes experimentarmos momentos de apreensão.
- Uma apreensão maior tive durante o voo para São Paulo, quando me vi com os reflexos gastrocolicos a todo vapor me obrigando a um ato antes impensável: utilizar o “banheiro” do avião para algo além de esvaziar minha bexiga. Sim, uma experiência nada agradável que tive que repetir em menos de 30 minutos, com direito a uma leve turbulência. Na próxima vez vou pegar mais leve no abacate, está decidido.


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