Trilha sonora: Arde Bogotá – Cowboys de la A3
Dia 1: Starbucks salvando, Museo del Prado, Fuente de Cibeles, Puerta de Alcalá, Parque del Retiro
- Após a cansativa travessia do oceano atlântico chegamos na capital da Espanha bem cedo. Tão cedo que não pudemos nem entrar no hostal. De acordo com o booking ele supostamente tinha recepção 24 horas, mas não foi bem assim. Um pouco antes das 07 da manhã interfonamos achando que iríamos entrar e deixar as malas, mas fomos surpreendidos por uma voz um tanto sonolenta que disse para retornarmos à partir das 09:00.
- Era 7 da manhã e o dia ainda era “noite”. A cidade como um todo parecia adormecida, exceto pelo grande número de pessoas correndo pelas ruas. Estávamos nos acostumando com a ideia de estarmos em Madrid e aí começamos a pensar sobre o que fazer até as 09 com as bagagens nas mãos e praticamente nada aberto à nossa volta.
- O abençoado Google Maps nos deu uma luz: havia um starbucks duas quadras para baixo e ele tinha acabado de abrir. Um tanto a contra gosto rumamos para esse grande exemplar do imperialismo norte-americano e nos surpreendemos. Não é que em Madrid os cafés do starbucks são realmente bons? E as comidas também. A Flávia mandou um sanduíche de ovo (dalhe proteína!) que de acordo com ela foi um dos melhores que ela já comeu. Carregamos nossos celulares, descansamos um pouco e enchemos nossos organismos de cafeína. E logo já era 9 horas e podíamos fazer o check-in para iniciarmos nossos passeios.
- Antes de entrarmos no Museu do Prado passeamos pelo simpático Jardim Botânico que fica ao lado e demos uma volta pelo lado de fora do museu. Isso nos permitiu ver umas esculturas interessantes e arranjos com belas flores. O sono do viajante brasileiro é forte no primeiro dia na Europa e para nos mantermos acordados tomamos um ‘cortado’ no elegante café do Museu. Aí sim estávamos prontos para ver de perto obras importantíssimas como o As Meninas de Velazquez e O Jardim das Delícias Terrenas de Hieronymus Bosch. Destaque também para os vários quadros de um dos meus artistas preferidos: Francisco de Goya.
- Quando olhar para cima sem ter uma pré-síncope se transformou em um desafio decidimos que era hora de retornamos para o nosso hostal na calle Cervantes e darmos uma leve dormida.
- No almoço optamos um menu do dia em um restaurante próximo ao hotel. Entrada, prato principal e sobremesa por um razoável preço fixo.
- E aí caminhamos até a Fuente de Cibeles, a Puerta de Alcalá e imenso e agradável Parque del Retiro. O parque é bem organizado e tem vários setores um mais bonito do que o outro, com destaque para a fonte e o grande lago artificial. Claro, ali também havia muitos espanhóis correndo.
- À noite descobrimos que para jantar com tranquilidade era preciso reservar algum restaurante previamente. Procuramos bastante e encontramos um com lugares disponíveis. Não era aquela maravilha, mas a senhorinha dona era simpática e foi onde experimentamos os primeiros tapas. Se não me engano, fomos de alcachofra e bacalhau.










Passos: 24.240
Dia 2: Café Xinco, Reina Sofia, Plaza Mayor, Puerta del Sol, Gran Via, Salmon Guru, Chueca
- Eu queria muito experimentar o clássico pão com tomate e o Xinco nos ofereceu uma ótima experiência. Além disso, ele tinha um café de qualidade e o dono (ou gerente?) nos deu umas bolachas de brinde depois de pedirmos mais uma dose de café. E pudemos treinar nosso espanhol um pouquinho.
- E fomos de mais cultura: Museu Reina Sofia. Ele não é tão grande como o Prado e é mais focado na arte moderna. Lá pudemos ver obras de Dali, Miró, Gris e principalmente o monumental Guernica de Picasso.
- Sempre caminhando o próximo destino foi a Plaza Mayor, outro impactante e movimentado ponto turístico da capital espanhola. Foi em uma San Ginés da praça que experimentamos algo que estava no topo da nossa lista de quitutes típicos: o churros. Ok, não era aquele espetáculo, mas era bom.
- Hora de rumar para onde todos os caminhos de Madrid levam: a Puerta del Sol. Lá que tem a estátua do urso símbolo da cidade.
- Seguindo na região fomos até a Gran Via, a chamada Broadway de Madrid pelo grande número de peças e musicais que tem por ali. Vale a pena observar os tipos de arquitetura ao longo da via, basta parar, deixar a carteira em um local seguro e olhar para as belas fachadas. O número de lojas é absurdo, assim como a quantidade de caminhantes. Inclusive, foi em alguma quadra dessa rua que tive a certeza que o meu vans cumpre apenas o papel estético e não é adequado para longas andanças. Entrei em uma loja para cogitando comprar um tênis esportivo, mas o preço me assustou e resolvi aguentar bravamente as dores no pés.
- E que tal o Salmon Guru? Basicamente é o paraíso dos entusiastas dos drinks. O ambiente agradável com elementos da cultura japonesa, a iluminação no ponto ideal e boas músicas tocando deixam a gente no clima para degustar drinks autorais de qualidade absurda. O esquema é sentar, papear e experimentar o máximo possível. Com água e salgadinhos de graça fica um pouco mais fácil de sair de lá sem dar PT.
- Um tanto animados pelas bebidas do Salmon Guru resolvemos dar uma volta no boêmio bairro Chueca e acabamos tomando um cava em um bar. A famosa saideira. Magicamente o meu pé já não doía mais tanto.
- Antes de capotarmos no hostal descobrimos que o Burger King de Madrid é muito saboroso.










Passos: 23.699
Dia 3: Madrid Rio, Catedral de la Almudena, Plaza de la Vila, Mercado de San Miguel, Palacio Real, Templo de Debod
- Esse dia caí da cama mais cedo do que o normal e resolvi sair andando por Madrid na madrugada/manhã. Peguei um café raiz ao lado do hostal e fui em direção ao Parque del Retiro. Tudo escuro, temperatura agradável e na rua só algumas pessoas correndo, poucos carros também. Fui escutando Arde Bogotá e no caminho me deparei com a placa da estrada A3. Coincidência agradável. Foi bacana ver a cidade bem vazia assim.
- Eu li em algum blog que pouquíssimos turistas vão até o parque Madrid Rio e deu para entender o porquê. Olha, não vimos realmente nada demais por lá que justifique a ida. É um espaço verde que o povo faz caminhada e corrida e tem um rio ao lado. Feio não é, mas também não é nada demais.
- Vimos por fora a Catedral de la Almudena e fomos em um restaurante próximo recomendado pelos nossos amigos Tony e Cecilia (Espanha Total). Chamava-se El Anciano Rey de los Vinos e parecia ser frequentado tanto por locais como por turistas. E não aprovamos. A anchova era ok, mas o molho das batatas bravas era um verdadeiro atentado para as papilas gustativas. Era México ou Espanha?
- Próximo dali estava a Praça da Vila, um lugar simpático e realmente bonito. Uma praça pequena, organizada, com flores e edifícios históricos. Demos uma passada rápida no Mercado de San Miguel e percebemos como o lugar fica bizarramente lotado. Se era difícil caminhar imagina sentar em algum lugar para comer. Mas verdade seja dita, tinha bastante opções bem apetitosas por lá.
- O Palácio Real é considerado uma visita imperdível em Madrid. É um dos maiores palácios da Europa, algo que imaginamos olhando por fora e temos certeza vendo por dentro. É tudo muito luxuoso, com vários detalhes a serem contemplados. Um majestoso desperdício de dinheiro? Certeza. Mas ele proporciona uma experiência diferenciada, meio que nos transportando para outras épocas e outras realidades. Considerando que começou a ser construído em 1738 e viu diversos reis, é uma verdadeira imersão na História.
- Entre o deslocamento do Palacio Real até o Templo de Debod experimentamos o tradicional bocadillo de calamares. É simplesmente um pão recheado de lula a milanesa, mas foi a melhor lula que comi. Com um molho de alho por cima então o negócio fica top demais.
- Depois de alguns milhares de passos chegamos no Templo de Debod, uma construção de mais de 2 mil anos que o Egito deu de presente para a Espanha por essa ter oferecido ajuda após a inundação de um sítio arqueológico. Esse templo está em um parque grande e alto que é agradável e tem uma bela vista para o Palacio Real. Relaxante e belo. Pena que quando fomos não tinha água no mini lago em volta dele.
- Nesse dia demos uma passada novamente na Gran Via e ela estava ainda mais cheia. O tal do formigueiro humano e a prova cabal do overtourism.
- Dessa vez eu tinha reservado o restaurante para a janta e degustamos um maravilhoso fideua no Barril de las Letras. E era bem pertinho do hostal.
- Depois pensamos ir em um show de jazz em uma praça ali perto, mas era muito caro!













Passos: 34.116
Dia 4: Toledo
- Fomos à pé até a estação Atocha sem ter que acelerar o passo. O hostal realmente estava muito bem localizado.
- Não tivemos problemas para achar a plataforma certa, mas não deu tempo para comprar algo decente para comer. Só havia um lugar aberto e a fila era grande, então resolvemos não arriscar.
- Com uma pontualidade assustadora o trem deixou a estação rumo a Toledo, um bate-volta indispensável e tranquilo de se fazer.
- Ao chegar na estação de Toledo não tem muito segredo para encontrar a parte histórica/turística da cidade. Basta seguir o fluxo e as placas e logo chegamos na Puente de Alcantara, uma bela construção da época dos romanos. É uma das portas de entrada para a cidade.
- A caminhada não é exatamente uma moleza pois o percurso tem uma certa inclinação, mas nada absurdo.
- Um dos primeiros lugares que visitamos foi o gigante Alcazar. Nosso objetivo foi a biblioteca que tem lá dentro, pois ela supostamente oferecia ótimas vistas da cidade. Não achamos nada demais, mas pelo menos pudemos utilizar o banheiro.
- Provavelmente a Catedral é o lugar mais espetacular de Toledo, com os detalhes de suas naves construídos por mãos habilidosas e ambiciosas. Ela é do século XIII e trata-se de um dos mais fascinantes exemplos da arquitetura gótica.
- Quando se fala em Toledo o nome do pintor El Greco vem à mente. Foi nessa cidade que ele atingiu o seu ápice artístico e também onde morreu em 1612. Fomos em um pequeno museu com várias de suas obras e também vimos de perto o seu quadro mais celebrado: O Enterro do Conde de Orgaz.
- Apesar de eu ser um admirador do seu Domenikos Theotokopoulos (gracias, google!) achei um tanto abusivo pagar não sei quantos euros para entrar na Igreja de São Tomé para ver esse único quadro.
- Foi em Toledo que tomamos o melhor sorvete dessa viagem. Saboroso sem ser enjoativo. Sem nenhum resquício daquele gosto artificial de um kibon da vida.
- E aí fizemos o passeio que mais me marcou na cidade. Saímos por uma porta de trás e contornamos a pé todo o casco histórico por fora. Pelo caminho, fomos brindados com vistas privilegiadas do coração de Toledo e do rio Tejo. Era um percurso um tanto longo, mas agradável, com vários mirantes para sentar e admirar a cidade de diversos ângulos.
- Eu tinha comprado o bilhete de volta para mais ou menos 20:30 e percebemos que já tínhamos visto praticamente tudo da cidade. Fomos até a estação para tentar antecipar a volta, sem sucesso. Nos restava mais algumas horas em Toledo e refletimos sobre o que fazer.
- Rapidamente decidimos voltar ao casco histórico e escolhemos uma cervejaria artesanal para tomar alguns pints. Escolhemos a La Abadia e foi só sucesso. Uma cerveja melhor do que a outra para matar o tempo. Detalhe para o banheiro curioso e insano do lugar, uma pegada futurista e quase surrealista. Uma verdadeira obra de arte da engenharia toledana, eu diria.
- Na hora de realmente ir embora fomos brindados com um por do sol espetacular. Pena que nessa hora não estávamos naqueles espetaculares mirante.
- Confesso que não lembro onde jantamos nesse dia, mas as chances são grandes de ter sido de novo no Burger King. Economizar é importante quando os preços são em euros.













Passos: 31.238



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