Johanesburgo

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Trilha sonora: Jan Blohm – Ruby

Dia 1

  • A viagem de ida para Johanesburgo ocorreu sem maiores problemas. Pegamos um voo de Curitiba para Guarulhos em um horário que nos deixou com uma longa janela de escala em São Paulo.
  • Presenciamos no aeroporto de Guarulhos o encontro de uma galera de uma agência de turismo. Uma galera empolgadíssima e barulhenta, diga-se de passagem. Acho que era a emoção de ir para África, né? Pensamos que o voo teria algumas perturbações, mas o povo se comportou.
  • A imigração foi extremamente rápida na entrada da África do Sul. Separei todos os documentos requisitados, mas a moça só deu uma olhadela nos nossos passaportes e carimbou. Agradecemos pela agilidade!
  • Saindo do desembarque já deu para ver o motorista da Shuttle King com a plaquinha com os nossos nomes. Pois é, resolvi ir na base do transfer em vez de alugar um carro. Pode ser um tanto confuso dirigir na mão inglesa e o trânsito em Joburg é pesado.

Rosebank

  • Das poucas áreas recomendadas para o turista se hospedar em Johanesburgo Rosebank nos pareceu a melhor opção. Ficamos em um hotel estratégico, que tinha um atalho para o Rosebank Mall e que era um ponto de parada do busão do City Sightseeing
  • Deixamos as coisas no quarto e pegamos o elevador em direção ao Rosebank Mall. Ali tem um shopping pequeno, outro maior, uma galeria, restaurantes, cafés e outros hotéis em volta. Um lugar considerado seguro, com policiais e segurança privada espalhados por várias áreas.
  • Nosso primeiro contato com a culinária local foi em um restaurante da rede tashas, onde comemos um saboroso sanduíche de frango (aí já deu para notar como eles amam um temperinho) e um razoável wrap.
  • Ali já aprendi como funciona as gorjetas nos restaurantes. A conta chega um bloquinho com uma caneta. Tem o valor inicial, o gratuity e o total. Você anota quanto quer dar de gorjeta e o garçom cobra o total. Espera-se algo entre 10 a 20%.
  • Como é natural após um voo longo apertados na classe econômica e desfrutando de um sono nada reparador estávamos bem cansados. Era umas 16 e se fossemos dormir o nosso ciclo circadiano ficaria ainda mais bagunçado. A opção? Influxo de cafeína, é claro. Descobrimos um café chamado Seattle Coffee que tinha opções de qualidade. E ali tive um choque de realidade em relação ao inglês. Caramba, como foi difícil entender a atendente. É um sotaque que não estou acostumado… mas aos poucos deu para ir pegando o jeito.
  • Para jantar fomos no Proud Mary, restaurante que se tornou um dos nossos preferidos de toda a viagem.
  • Cansados e com os pensamentos lentificados, rumamos para o quarto combater o jet lag. Spoiler? Vencemos com autoridade. Fazia tempo que eu não acordava depois das 8.
na nossa primeira experiência culinária em terras africanas já percebemos que eles curtem uma pimentinha

Dia 2

  • O café da manhã do nosso hotel, o Holiday Inn, tinha boas opções. O croissant no ponto e as frutas bem saborosas. E pudemos observar uma mescla entre pessoas que estavam ali a trabalho e outras a turismo. Acho que as que estavam a trabalho eram em maior número.
  • Fui comprar um pouco de rands para ter dinheiro em espécie para alguma eventualidade. No Rosebank Mall tem vários opções para isso, a maioria são bancos, mas tem uns quiosques espalhados. Troquei no quiosquise chamado Forex World e recomendo.
  • Agilizamos um pouco e conseguimos pegar o ônibus vermelho (hop on-hop off) às 10:20. Com isso deu para visitar o Constitution Hill, Museu do Apartheid e Soweto. Já adianto que foi bastante coisa em pouco tempo e vale a pena reservar praticamente um dia inteiro para Soweto.

City Sightseeing, o ônibus vermelho para o City Tour

  • Sempre tive um pé atrás com esses ônibus, mas acabou sendo uma opção excelente para termos um panorama geral da cidade e nos permitiu chegar a três lugares que queríamos visitar.
  • Para facilitar ainda mais, um dos pontos desse ônibus é EXATAMENTE em frente ao hotel em que estávamos. Maravilha.
  • Você senta, coloca o seu fone, escolhe o idioma e começa a escutar informações interessantes (e as vezes bem humoradas) sobre a cidade e sobre os pontos específicos pelos quais estamos passando. Para usar o ônibus é bem fácil olhando o mapa, já tendo decidido o que quer ver e prestando atenção no audio.
  • Nossa primeira parada… Constitution Hill.
busão em frente ao hotel nos esperando… APURA!

Constitution Hill

  • Local importantíssimo para a África do Sul, pois representa um passado sombrio e agora um símbolo de liberdade e justiça.
  • Ali era uma prisão onde os presos sofriam bastante, principalmente os negros. Existia prédios específicos para brancos, mulheres e negros. E entrando nas celas e vendo algumas fotos percebemos facilmente as diferenças.
  • Duas figuras históricas passaram um período presos ali: Nelson Mandela e Mahatma Gandhi. Tem salas dedicadas a cada um deles, com fotos e citações.
  • Como foi uma constante em vários lugares também compartilhamos espaços com crianças tendo aulas. Quase sempre bem tranquilas e comportadas! Ufa
  • Por volta de 1995 – após o fim do apartheid – iniciou-se a construção do Tribunal Constitucional no mesmo local. A arquitetura desse edifício chama a atenção por sua beleza dura e por detalhes como ter fragmentos da constituição em painéis na sua fachada. Outra questão simbólica são as janelas enormes e luminosas, contrastando com as da prisão.
  • E mais uma vez reforçando os contrastes de Johanesburgo, vimos moradores de rua que fizeram de seu lar umas estruturas na lateral do Constitution Hill.
  • Pegamos o ônibus exatamente no horário que estava marcado no itinerário e fomos rumo a nossa próxima parada.
a fachada do Constitution Hill
gandhi e mandela
as celas femininas
dentro do tribunal

Museu do Apartheid

  • Pensa em um lugar em que nos arrependemos de não ter passado mais tempo. Tivemos que visitá-lo de forma apressada para não perder a última van para Soweto, uma pena.
  • De qualquer forma, deu para perceber que esse museu tem um algo a mais. Ele começa separando o público com ingressos para brancos e não brancos, cada um entrando por lugares diferentes.
  • Lá dentro o material é gigantesco. Fotos, videos, objetos. Você pode entrar e passar horas lendo e aprendendo sobre essa política do ódio que virou lei. A visita começa duríssima – algo que é potencializado pela própria arquitetura um tanto opressiva do Museu em alguns espaços -, mas nos deixa com um ar de esperança no fim. Como não podia deixar de ser há um enfoque muito grande em Nelson Mandela e nossa admiração por ele só aumenta.
  • Dá para passar toda uma manhã ou uma tarde ali, fácil.
  • Perdemos o horário do ônibus e decidimos ir a pé para o próximo ponto, que era bem perto. Era tipo uma mistura de hotel, casino e shopping. Tentamos procurar algo rápido para almoçar/lanchar e tivemos que escolher essas belas opções: cherry coke, pringles e chocolate. Isso que eu chamo de refeição livre! Pouco tempo depois nosso micro onibus para Soweto chegou.
uma simulação da segregação que foi uma dura realidade por décadas
“Ser livre não é apenas livrar-se das próprias correntes, mas viver de uma forma que respeite e aprimore a liberdade dos outros”
visitar o museu do apartheid é toda uma experiência
no final do museu… a esperança!

Soweto

  • No conforto de um pequeno ônibus e com um guia local contextualizando tudo, nos aproximamos de Soweto, os subúrbios do sudoeste.
  • A região de Soweto foi criada antes do apartheid propriamente dito, mas expandiu bastante no final dos anos 1940.
  • Uma das primeiras coisas que vemos é o simbólico estádio Soccer City, que estava no meu imaginário desde a Copa do Mundo de 2010. Esse estádio é esteticamente diferenciado (com seus painéis coloridos) e representa o amor do povo africano pelo futebol. Aliás, o guia falava com empolgação sobre o futebol jogado com os pés e sobre o time que ele torcia, o Kaizer Chiefs.
  • Na sequência, chegamos nas Orlando Towers. Ali você pensa realmente que está em Soweto. Essas construções industriais foram revitalizadas e transformadas em um tipo de cartão postal, já que nelas podemos ver desenhos bem artísticos. Além disso, é um ponto para os entusiastas de atividades que exigem uma dose de coragem (e, se me permitem, de loucura) como o Bungee Jump e a tirolesa. Apesar do generoso convite do nosso guia, eu e a Flávia recusamos o salto de 100 metros.
  • Que tal conhecer a Vilakazi Street? Uma rua em que moraram dois vencedores do prêmio nobel da paz: Desmond Tutu (1984) e Nelson Mandela (1993). Vemos de perto uma casa em que morou Mandela e agora é um pequeno museu. Por ali sempre tem um grupo fazendo danças típicas africanas e esperando uma colaboração. No nosso grupo tinha um egípcio um tanto maluco que foi dançar no meio dos caras. Espero que tenha dado uns rands pra eles.
  • Um pouco mais para frente chegamos na que considerei a parte mais emotiva e marcante. Estamos em frente ao memorial Hector Pieterson e um outro guia local nos faz um relato impactante sobre a Revolta de Soweto de 1976. Ver ele contando a história de como as crianças decidiram se rebelar contra as injustiças do apartheid e como foram respondidas a bala foi doloroso. Ainda mais pelo fato de que ele vai mostrando exatamente os locais em que tudo se passou.
  • Hector Pieterson foi uma criança que se tornou um símbolo muito forte no combate ao absurdo do apartheid. Tem uma foto bem famosa e muito triste que fez com que muitos protestos contra o apartheid se espalhassem pelo mundo. Hector é o menino que está sendo carregado sem vida nessa imagem. (conteúdo forte)
  • Infelizmente, não deu tempo de provar alguma comida típica e nem de tomar a cerveja feita pelo povo de Soweto.
  • Recomendação de brauns pelo mundo: um dia para o Museu do Apartheid e Constitution Hill e outro para Soweto.
  • Chegamos cansados no hotel depois dessa fascinante imersão na História da África do Sul. E fomos dormir empolgados, porque no dia seguinte iriamos até Pilanesberg para o nosso safari!
  • Ainda teríamos mais duas noites em Johanesburgo mais para o final da viagem, quando iríamos ficar em Sandton e visitaríamos a Mandela Square. Mas isso fica para outro post.
saudades da copa de 2010?
Orlando Towers! Cartão-postal de Soweto
Nelson Mandela morou nessa casa na Vilakazi Street
aqui o guia nos contou sobre a brutalidade da Revolta de Soweto de 1976 e mostrou onde as coisas aconteceram

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